História
23 julho 2026
Proteger Famílias, Salvar Vidas: Como a Parceria Tornou Possível e Bem-Sucedida a Campanha Nacional de Distribuição de Mosquiteiros na Guiné-Bissau
Todas as mulheres grávidas e lactantes, todas as crianças e todos os membros de uma família devem poder dormir em segurança durante a noite, protegidos contra o paludismo. No entanto, na Guiné-Bissau, o paludismo continua a ameaçar esse direito fundamental. Só em 2025, foram registados 114.000 casos de paludismo e mais de 220 pessoas perderam a vida, incluindo 45 crianças menores de cinco anos. Por detrás de cada número há uma família, uma comunidade e um futuro afetados por uma doença que pode ser prevenida. É por isso que a Campanha Nacional de Distribuição de Mosquiteiros Impregnados de Longa Duração, conhecida como Campanha MILDA, é tão importante. Não se trata apenas de uma operação de distribuição; é uma das mais importantes intervenções de saúde pública do país e um exemplo concreto do que pode ser alcançado quando liderança nacional, conhecimento técnico, financiamento, logística, inovação digital e envolvimento comunitário se unem em torno de um objetivo comum: proteger a população contra o paludismo. Uma das formas mais eficazes de prevenir o paludismo é a utilização correta e consistente de mosquiteiros tratados com inseticida. De acordo com o Inquérito Nacional sobre Indicadores do Paludismo de 2023, 87 por cento da população e 88 por cento das crianças menores de cinco anos dormiram debaixo de um mosquiteiro tratado com inseticida na noite anterior ao inquérito. Contudo, com cerca de 84 por cento da população atualmente a dormir debaixo de mosquiteiros, a Guiné-Bissau continua abaixo da meta regional de 95 por cento.Fechar esta lacuna exige mais do que entregar mosquiteiros. Exige chegar a todos os agregados familiares, incluindo as comunidades mais remotas; assegurar que as famílias saibam quando e onde levantar os seus mosquiteiros; e reforçar a mensagem de que utilizar corretamente o mosquiteiro todas as noites pode salvar vidas.Realizada de três em três anos, a Campanha MILDA é a maior operação de saúde pública da Guiné-Bissau. A campanha de 2026 distribuiu mais de 1,2 milhões de mosquiteiros a mais de 400.000 agregados familiares em todo o país, incluindo famílias que vivem em zonas de difícil acesso.Uma operação desta dimensão não acontece por acaso. Exige planeamento detalhado, cadeias de abastecimento fiáveis, equipas formadas, comunicação clara, sistemas de dados robustos e uma coordenação estreita entre instituições nacionais, parceiros de desenvolvimento e agências das Nações Unidas.A campanha é liderada pelo Ministério da Saúde Pública, através do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo (PNLP), com financiamento do Fundo Global e apoio operacional e logístico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A campanha beneficia ainda da orientação técnica e normativa da Organização Mundial da Saúde, do apoio logístico do Programa Alimentar Mundial, e do apoio do UNICEF na mobilização comunitária e na Comunicação para Mudança Social e de Comportamento. Em conjunto, estas contribuições mobilizaram mais de 3.000 pessoas em todo o país e transformaram uma complexa operação nacional numa resposta coordenada de saúde pública.Durante a distribuição, os agregados familiares apresentaram senhas que foram digitalmente lidas antes da entrega dos mosquiteiros, de acordo com a dimensão de cada família. Esta abordagem reforçou a organização, a transparência e a eficiência, ajudando as equipas a acompanhar o progresso e a responder com maior rapidez aos desafios operacionais.Uma Campanha, Competências ComplementaresA força da campanha reside na forma como cada parceiro colocou uma competência específica ao serviço de uma prioridade nacional comum.Enquanto Recipiente Principal da subvenção do Fundo Global para o paludismo, o PNUD desempenhou um papel central no planeamento, financiamento e implementação da campanha. Geriu os recursos que apoiaram a operação, contribuiu para a aquisição e distribuição de mais de 1,4 milhões de mosquiteiros tratados com inseticida através de aproximadamente 1.400 pontos de distribuição, e trabalhou em estreita colaboração com o Programa Nacional de Luta contra o Paludismo (PNLP) para organizar e financiar a formação de agentes e supervisores da campanha em todas as regiões. Uma característica marcante da campanha de 2026 foi a utilização, pela primeira vez em todo o país, de ferramentas digitais. Com base no pré-registo dos agregados familiares e nos dados demográficos nacionais do Quarto Recenseamento Geral da População e Habitação, o PNUD apoiou a introdução de sistemas que melhoraram o planeamento, a rastreabilidade e a monitorização em tempo real. Esta abordagem digital reforçou a prestação de contas e permitiu às equipas acompanhar a implementação de forma mais próxima.A logística foi igualmente determinante. Para transportar os mosquiteiros em todo o país e posicioná-los mais perto das comunidades, o PNUD recorreu à infraestrutura logística do PAM, alugando capacidade de armazenamento em Bafatá. O PAM também apoiou a garantia de qualidade, monitorizando as operações de carregamento, verificando as quantidades expedidas e acompanhando possíveis perdas — uma contribuição essencial num país onde a distância e as dificuldades de acesso podem determinar se os serviços chegam às famílias a tempo.A contribuição do UNICEF centrou-se nas pessoas: as famílias que precisavam de saber por que razão, quando e como utilizar os mosquiteiros. Através de intervenções de Comunicação para Mudança Social e de Comportamento e de parcerias com rádios comunitárias, o UNICEF apoiou a divulgação de mensagens sobre datas de distribuição, pontos de levantamento e procedimentos, promovendo simultaneamente a utilização correta e consistente dos mosquiteiros todas as noites. A OMS prestou apoio estratégico, técnico e normativo ao longo de toda a campanha. Com base em evidências científicas e normas internacionais, a OMS apoiou o Ministério da Saúde Pública no alinhamento da campanha com estratégias de prevenção e controlo do paludismo baseadas em evidências. A OMS também promoveu a utilização de dados de qualidade para a tomada de decisões e apoiou a integração da campanha no programa nacional mais amplo de controlo do paludismo.Parcerias que Geram ResultadosA Campanha MILDA recorda-nos que as parcerias são mais fortes quando são práticas, coordenadas e orientadas para resultados. Mais do que uma operação de distribuição de mosquiteiros, a campanha demonstra como a liderança partilhada e competências complementares podem transformar o compromisso nacional em proteção concreta para milhões de pessoas.