80 Anos das Nações Unidas: Celebrados com o Povo da Guiné Bissau
24 outubro 2025
Ao assinalar 80 anos, a ONU percorreu a Guiné-Bissau para ouvir as comunidades, promover o diálogo e reafirmar o compromisso com um desenvolvimento sustent]avel
Em 2025, as Nações Unidas assinalaram 80 anos de compromisso global com a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável. Na Guiné‑Bissau, este aniversário foi celebrado de uma forma profundamente inclusiva: viajando pelo país e encontrando as populações onde elas estão.
Entre 10 e 23 de outubro de 2025, a ONU, em parceria com o grupo cultural Netos de Bandim, realizou uma caravana cultural e institucional que percorreu oito regiões, levando diálogo, arte e informação sobre o mandato das Nações Unidas a algumas das comunidades mais remotas e vulneráveis do país.
A caravana visitou os lumus (mercados tradicionais) de Quinhamel, Bula, Pitche, Bantandjam, Quebo, Bolama, Buba e Mansoa, criando espaços de conversa aberta sobre desafios de desenvolvimento, aspirações e realidades do quotidiano. Esta abordagem reforçou uma das mensagens centrais da celebração dos 80 anos: as Nações Unidas existem para servir os povos, e o desenvolvimento é mais eficaz quando construído com as comunidades, e não apenas para elas.
Ao longo de todas as etapas, os cidadãos partilharam mensagens poderosas que evidenciam as suas prioridades e necessidades imediatas:
Acesso a serviços sociais básicos
As comunidades sublinharam a urgência de melhorar serviços essenciais: água potável, eletricidade, cuidados de saúde e educação de qualidade, incluindo a construção e reabilitação de escolas, hospitais e jardins infantis. Muitas localidades alertaram para a falta de carteiras, salas adequadas e a necessidade de programas de alfabetização para mulheres e adultos.
Infraestruturas e mobilidade
A inexistência de infraestruturas adequadas foi identificada como uma barreira crítica ao progresso. Foram destacados a necessidade de estradas pavimentadas, melhor transporte marítimo e melhorias nos mercados para facilitar deslocações, trocas comerciais e acesso a serviços essenciais.
Agricultura, segurança alimentar e meios de subsistência
Em zonas agrícolas, a população pediu apoio para a reabilitação das bolanhas, fornecimento de sementes, ferramentas, tratores e gestão pecuária. Foram igualmente referidas melhores condições para a produção e exportação de produtos hortícolas e caju. A luta contra a fome e o reforço da segurança alimentar surgiram como prioridades amplamente partilhadas.
Emprego jovem e oportunidades
Os jovens solicitaram formação profissional, oportunidades de emprego e iniciativas que os ajudem a contribuir para o desenvolvimento local, reduzindo vulnerabilidades como o consumo de drogas e a migração irregular. A criação de espaços juvenis e programas vocacionais foi um apelo frequente.
Empoderamento das mulheres e inclusão económica
As mulheres — especialmente horticultoras e vendedoras — pediram acesso ao microcrédito, apoio ao desenvolvimento de pequenos negócios e melhores oportunidades para expandir as suas atividades agrícolas e comerciais. Também sublinharam a importância da alfabetização e de programas de capacitação adaptados às suas realidades.
Inclusão das pessoas com deficiência
Em várias comunidades, foi destacada a necessidade de maior atenção aos direitos e inclusão das pessoas com deficiência, incluindo a acessibilidade aos serviços públicos e maior sensibilização nas instituições locais.
Paz, coesão social e proteção
As comunidades expressaram um forte desejo de paz, coesão social e segurança, reconhecendo estes elementos como fundamentais para o bem‑estar coletivo. Foram compartilhadas preocupações com o consumo de drogas entre jovens, a proteção de mulheres e crianças e a importância de mecanismos que promovam harmonia e convivência pacífica.
Governança e participação
Os cidadãos defenderam maior descentralização, incluindo a realização das eleições autárquicas, melhorias na administração pública e uma distribuição mais justa de bens públicos e assistência social. Reforçaram a importância da transparência, da responsabilização e de instituições sólidas capazes de entregar serviços eficazes.
Estas vozes e prioridades irão orientar a formulação do próximo Quadro de Cooperação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, alinhado ao Plano Nacional de Desenvolvimento, garantindo que as aspirações da população guineense permanecem no centro da ação conjunta com o Governo.
As comemorações culminaram em Bissau, com um encontro sobre paz e cooperação no Centro Cultural Franco‑Bissau‑Guineense, seguido de um evento cultural vibrante na Praça de Bandim, que reuniu milhares de pessoas. Este momento simbolizou o espírito do 80.º aniversário: a ação local como motor do progresso global, reafirmando que as Nações Unidas estão presentes em todas as regiões, todas as aldeias e em cada cidadão que acredita na dignidade, na justiça e num futuro melhor para todos.
Juntos — comunidades, Governo, parceiros e Nações Unidas — continuamos a trabalhar por uma Guiné‑Bissau mais inclusiva, mais resiliente e onde ninguém fica para trás.