Comunicado de Imprensa

Secretário-Geral da Nações Unidas sobre o Dia Internacional da Mulher: Oito ações para um mundo mais igualitário.

08 março 2026

ARTIGO DE OPINIÃO POR OCASIÃO DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

No decurso de quase uma década como Secretário-Geral das Nações Unidas vi o nosso mundo ser repetidamente posto à prova - por choques climáticos, agravamento da pobreza, conflitos violentos e redução do espaço cívico.

No entanto, também testemunhei o surgimento de muitas soluções, todas elas com um denominador comum: as mulheres.

Nesta ocasião em que o mundo assinala o Dia Internacional da Mulher, é tempo de reconhecer que a desigualdade de género é o maior desafio de direitos humanos que enfrentamos e que a promoção da igualdade constitui um dos motores mais fortes do desenvolvimento sustentável e da paz.

Para enfrentar esse desafio, e com base na minha própria experiência e inspirando-me no trabalho do sistema das Nações Unidas e de movimentos da sociedade civil em todo o mundo, proponho oito áreas de ação destinadas a promover os direitos das mulheres e a alcançar resultados concretos.

1. Corrigir os Desequilíbrios de Poder. A igualdade de género é uma questão de poder, mas as instituições dominadas por homens continuam a moldar o nosso mundo. Uma maré crescente de autoritarismo está a aprofundar estas desigualdades, revertendo conquistas arduamente alcançadas – de práticas laborais justas a direitos reprodutivos – e enraizando preconceitos raciais e de género que limitam a vida das mulheres. A igualdade de género eleva as sociedades. Quando o poder é partilhado, a liberdade expande-se.

2. Fazer da Paridade uma Prioridade. As mulheres estão extremamente sub-representadas em governos e administrações empresariais em todo o mundo. Na ONU, decidimos fazer da paridade uma prioridade, começando pela liderança de topo. Alargámos a procura de candidatas qualificadas – sem baixar padrões de exigência. A ONU saiu fortalecida, com uma melhor cultura de trabalho e um processo de tomada de decisões mais inclusivo. A lição é clara: quando as instituições optam pela igualdade, os resultados aparecem. 

3. Apostar no Investimento Mais Rentável. O investimento nas mulheres gera retornos extraordinários. Cada dólar investido na educação de meninas, resulta num retorno três vezes superior. No âmbito da saúde materna e do planeamento familiar, a rentabilidade ascende a oito vezes o investimento. As políticas de apoio às famílias – como cuidados infantis e apoio a idosos – fortalecem as comunidades e estimulam o crescimento. Em conjunto, todos estes esforços estão na base da redução das desigualdades de género – e encerram o potencial de aumentar o rendimento nacional em cerca de 20%.

4. Assegurar um lugar à mesa de negociações de Paz. Os acordos de paz são mais duradouros quando as mulheres participam na sua negociação e aplicação. No entanto, em demasiados conflitos – incluindo Gaza, Ucrânia e Sudão – as mulheres têm sido praticamente afastadas, apesar de suportarem o maior fardo da guerra. Num tempo de crescente instabilidade, a inclusão não é uma mera exigência simbólica – mas a melhor via para estabilizar um mundo fraturado.

5. Acabar com a Discriminação Legal. À escala global, as mulheres detêm apenas 64% dos direitos legais usufruídos pelos homens. Em demasiados lugares, não podem deter propriedade, trabalhar livremente ou pedir o divórcio. Mesmo em muitos países onde vigoram algumas garantias jurídicas, enfrentam barreiras acrescidas no acesso à justiça. Todos os países devem assumir o compromisso de eliminar leis discriminatórias e garantir que os direitos são efetivamente aplicados na prática.

6. Tolerância Zero para com a Violência de Género - e Zero Desculpas. A violência contra as mulheres é uma emergência global, enraizada na desigualdade e sustentada pelo silêncio. Todas as mulheres e meninas têm o direito de viver sem medo. Contudo, a violência baseada no género – incluindo exploração e abuso sexual – continua a ser uma realidade que viola a confiança e o respeito pela humanidade. Devemos enfrentá-la em todo o lado: com tolerância zero, total responsabilização dos perpetradores e apoio inabalável às sobreviventes.

7. Eliminar distorções no setor tecnológico. Dado que as mulheres representam apenas um quarto do total dos profissionais no setor tecnológico, o preconceito está cada vez mais integrado nos sistemas que moldam o nosso quotidiano. Entretanto, a misoginia online dispara. As empresas tecnológicas e os governos devem agir em conjunto para criar espaços digitais seguros e inclusivos e o mundo deve redobrar esforços para remover as barreiras que impedem às meninas o acesso à ciência e à tecnologia. 

8. Integrar a perspetiva de Género na Ação Climática. As alterações climáticas são “sexistas”. Quando geram crises alimentares, verifica-se que, muitas vezes, as mulheres são as últimas a ter acesso a alimentos; quando geram situações de emergência verifica-se que as mulheres enfrentam maior perigo. Acresce que que as meninas deparam-se com uma maior probabilidade de casamento infantil quando os meios de subsistência colapsam. Mas as mulheres também lideram soluções climáticas – promovendo legislação verde, impulsionando movimentos globais e liderando mudanças no terreno. Um planeta habitável exige políticas climáticas sensíveis ao género: igual acesso a empregos verdes, melhor proteção em situações de emergência e participação plena na tomada de decisões ambientais.

Por todo o mundo, vi que estas oito áreas de ação funcionam na prática – em zonas de guerra e em contextos de reconstrução, em parlamentos e em salas de aula, em organizações e em comunidades. 

Se os líderes levarem a sério a igualdade de género e se comprometerem com estas ações agora, mudaremos o mundo – para as mulheres e meninas e para todos nós.

 

 

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

ONU
Organização das Nações Unidas

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa