Senhora Presidente da Associação para a Cooperação entre os Povos (ACEP),
Senhor Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos,
Distintos convidados e convidadas, jornalistas, representantes do Consórcio Casa dos Direitos, parceiros, senhoras e senhores,
É com profunda honra e enorme satisfação que me junto a vós nesta cerimónia que celebra coragem, ética e compromisso — valores que o jornalismo, em sua essência, deve carregar e proteger. Hoje, o Prémio Jornalismo e Direitos Humanos não reconhece apenas trabalhos jornalísticos. Ele homenageia vozes. Ele homenageia consciências. Ele homenageia a busca incansável pela dignidade humana.
Estamos aqui, reunidos pelo Consórcio Casa dos Direitos, num momento especialmente simbólico: a Quinzena dos Direitos. Uma ocasião que nos lembra que os direitos humanos não são apenas princípios universais — são compromissos diários. São escolhas. São ações. São, tal como o lema da Campanha Global, O Essencial de Cada Dia. Em contextos onde os direitos humanos enfrentam desafios, a presença de uma imprensa livre e responsável torna-se ainda mais vital.
Meus senhores e minhas senhoras,
A Guiné-Bissau possui uma sociedade vibrante e resiliente, e o trabalho dos jornalistas tem sido fundamental para destacar injustiças, dar voz a comunidades marginalizadas e inspirar políticas mais inclusivas. É por isso que este prémio tem um significado profundo: ele reafirma que a verdade continua a ser uma força poderosa e necessária.
Mas reconhecer não basta. Hoje, faço um apelo claro:
Precisamos reforçar os mecanismos de proteção aos jornalistas, investir em formação contínua e promover ambientes onde a liberdade de imprensa seja plenamente garantida.
Um país que quer fortalecer a paz e o desenvolvimento precisa de imprensa livre, protegida e capacitada. Sem jornalismo ético, investigativo e independente, perde-se a transparência. Sem transparência, perde-se a confiança. E quando a confiança se perde, abre-se espaço para o medo, para a desinformação e para a injustiça.
O jornalismo de direitos humanos tem uma missão ainda mais profunda:
dar voz a quem não tem,
iluminar o que está escondido,
desafiar o silêncio,
e lembrar o Estado, as instituições e a sociedade de que cada vida humana importa.
E isso exige coragem. Exige integridade. Exige sacrifício.
Recordo que a proteção dos jornalistas — reconhecidos internacionalmente como defensores de direitos humanos — está consagrada em instrumentos fundamentais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, a Resolução 2222 do Conselho de Segurança e o Plano de Ação da ONU sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade.
Aos premiados e premiadas, a minha profunda admiração. O vosso compromisso inspira o país e fortalece o trabalho de todos e todas nós. A ONU permanece ao vosso lado, como parceira, promotora e defensora da liberdade de expressão e dos direitos humanos.
Que esta cerimónia nos renove o compromisso coletivo com a verdade, com a dignidade humana e com uma Guiné-Bissau onde cada pessoa tenha os seus direitos plenamente respeitados.
Muito obrigada.
Discurso de
Geneviève Boutin
ONU
Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas
Estamos a atualizar a plataforma do website da Equipa das Nações Unidas no país para a tornar mais clara, rápida e acessível.
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