Comunicado de Imprensa

Guiné-Bissau vulnerável ao choque do COVID-19

24 abril 2020

  • Na Guiné-Bissau, que já se deparava com problema de ajuda ao desenvolvimento por causa da crise politica, a pandemia de COVID19 veio complicar ainda mais a situação económica do país. Dependente das importações e com o Produto Interno Bruto (PIB) assente na exportação do caju, a Guiné-Bissau vê a sua economia praticamente paralisada devido à quarentena e o encerramento de fronteiras à escala global.

Muitos governos já anunciaram algumas medidas para estimular o sistema financeiro, salvaguardar as pequenas e médias empresas e proteger famílias e trabalhadores. Outros países estudam pacotes de emergência para tentar reverter o impacto da pandemia.

Legenda: O impacto socioeconómico da pandemia do novo coronavírus já se faz sentir no mundo inteiro, incluindo a Guiné-Bissau, devido às medidas de prevenção adotadas pelos governos e às proprias limitações da produção dos países causadas pela doença.
Foto: © ONU

Na Guiné-Bissau, que já se deparava com problema de ajuda ao desenvolvimento por causa da crise politica, a pandemia de COVID19 veio complicar ainda mais a situação económica do país. Dependente das importações e com o Produto Interno Bruto (PIB) assente na exportação do caju, a Guiné-Bissau vê a sua economia praticamente paralisada devido à quarentena e o encerramento de fronteiras à escala global.

Segundo o economista Guineense, Aliu Soares Cassama, a economia guineense como qualquer outra “sofreu um impacto negativo devido a pandemia de COVID19, alertando que economia guineense para além de ser extremamente fraco, é vulnerável ao choque externo e ao branqueamento de capitais.”.

“Como sabemos, os meados de março e julho são considerados pico do crescimento económico da Guiné-Bissau, ou seja periodo da comercialização de castanha de Cajú, um produto que representa 90 por cento de exportação bruta do nosso país e contribui com 64 por cento de exportação bruta no espaço UEMOA”, acrescenta Aliu Soares Cassama.

Com o surgimento de novos casos as autoridades nacionais adoptaram medidas que regulamentam o estado de emergência e que também estão a dificultar a vida da população que vivem do mercado informal.

Aliu Soares Cassama sustenta que a Guiné-Bissau sendo um país puramente importador, essas medidas podem levar o país a registar sucessivos défices da balança comercial. Condicionando as restrições de oferta podem levar o país a registrar uma inflação galopante, ou seja, subida generalizada dos preços.

“As mulheres e jovens que vendem diariamente nos diferentes mercados do país direta ou indiretamente contribuem 90 por cento para o crescimento económico, e muitas familias vivem do desse mercado informal” disse o economista.

As limitações impostas estão a suscitar reações da população que para conseguirem por pão na mesa precisam vender, o que não estão a conseguir fazer neste momento por causa da doença.

A cidadã Mariatu Sané, disse que têm “coinciência de que a doença existe e é muito perigosa, mas sentados em casa sem vender vão morrer de fome, não da doença, lamentndo que o estado não a prestar assistências às mulheres que são providores da familia, por isso vão ter de arriscar a vida e sair na rua para vender e conseguir algo para comer”.

“Muitas familias estão a passar dificuldades, antes vendiamos bem, mas agora não, o tempo é pouco, vais para o mercado mal começas a vender já toca a hora e começas a arrumar as coisas de novo, esta dificil assim para nós, estamos a passar muitas dificuldades com essa quarentena”, disse Mariatu.

Por outro lado, Saido Djalo, lamenta a situação das pessoas nas tabanças, “que já estão a passar fome”, e pede ao estado para ajudar as populações das zonas rurais com géneros alimentícios para aliviar a fome das populações, alertando que eles vivem da campanha de castanha de caju, e com o coronavirus a campanha ficou comprometida, por isso precisam de ajuda do estado.

Para ajudar famílias que já estão a passar por dificuldades surgiram Iniciativas como “TADJAFOME”, “NÔ DJUNTA MON” e outras com o objectivo de ajudar as familias mais carênciadas com uma cesta básica. Várias familias já benefciaram desssa ajuda e agora estão alargar ajuda para as regiões.

A Guiné-Bissau beneficiou recentemente de perdão de dívida concedida pelo Fundo Monetário Internacional a 25 países mais pobres incluindo a Guiné-Bissau para facilitar as medidas de respostas ao COVID19. Esta medida permite cobrir durante seis meses os reembolsos relativos à dívida destes Estados para com esta instituição financeira e desta forma “afectar uma maior parte dos seus magros recursos aos esforços em assuntos de urgência médica e ajuda”, informa a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva.

Por outro lado, a União Africana nomeou recentemente um grupo de enviados especiais para mobilizar a comunidade internacional no apoio à economia dos países africanos que enfrentam a pandemia de covid-19.

O Banco Mundial, que na Guiné-Bissau financia a resposta ao COVID-19, também alertou que o novo coronavírus poderá levar o continente africano a um de seus piores desempenhos económicos num quarto de século, alertando que a pandemia pode também custar de US$ 37 bilhões a US$ 79 bilhões em perdas de produção para a África em 2020 devido a uma combinação de efeitos como a interrupção da cadeia de comércio e valor que impacta os exportadores de commodities e países com forte participação no comércio.

Para além destes apoios o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA/IFAD) tenciona ajudar os produtores e comerciantes de caju para salvar a campanha de 2020.

No dia 23 de Abril, a Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO) organiza uma conferencia extraordinária de Chefes de Estado para analisar o impacto da pandemia e decidir medidas adicionais para apoiar os estados-membros. A Guiné-Bissau vai participar.

Guiné-Bissau vulnerável ao choque do COVID-19

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

FIDA
Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola
ESCWA
Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental
ONU
Organização das Nações Unidas

Objetivos que apoiamos através desta iniciativa